domingo, 6 de fevereiro de 2011

Rugby...

   ... é respeito, é coragem, é raça; é sangue, suor e terra. O significado da palavra é indefinível, mas pode ser sentido, no grito do hino e no encaixe do tackle, nos olhos de cada um dos companheiros, no próprio coração.



sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Ciclo

   Só uma vida? Acho que não, tem muita coisa fazer em uma vida só. Prefiro acreditar que eu venho, faço e volto, para fazer melhor; já dizia Lavoisier: na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Porque isso só deveria ser aplicado à matéria, e não ao espírito? 

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Fogo Perpétuo

Confuso e irado

o mais alto eu gritei;

e depois arrasado

perguntei ao velho mago:

onde foi que eu errei?

Tu erraste, ele diz,

ao pensar com a razão,

quando o homem mais feliz

tem tudo que sempre quis

ao olhar para o coração.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O Ritmo da Vida

   Essa é uma redação que eu fiz para o vestibular de verão da Uniritter desse ano, salva algumas modificações, sobre a música como motivação para a vida. Rendeu-me o 1° lugar do meu curso, então pensei em postar:


   Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si. Sete notas musicais que podem criar verdadeiras obras de arte e trabalhar as mais incríveis das faculdades humanas. A música é uma das poucas artes da sociedade moderna que pode unir milhões de pessoas em um só ritmo, seja em uma mensagem de paz, amor ou preservação da natureza.
   Há séculos que a música encanta o mundo. Na Grécia Antiga, muitos filósofos encontravam o "significado" da vida em sons aparentemente banais, como o canto de um pássaro e o sopro do vento. Quaisquer que sejam suas interpretações, até as mais simples das melodias podem mudar um pensamento, potencializar a criatividade e libertar a imaginação.
   Dentro desse aspecto, as emoções são, talvez, as mais estimuladas pela música. Todas as frustrações de um dia ruim parecem se esvair ao som da música preferida, como se ela mascarasse, só por alguns minutos, todas as angústias. Já as maiores conquistas e sucessos são tanto derivados dos poderes estimulantes da música quanto revelados por ela, geralmente em forma de uma cantoria desafinada no chuveiro.
   "Tum tum", "tum tum". Nosso coração comprova: sem música, não há vida. Com ela choramos, sorrimos e amamos, ou seja, vivemos. Encontrar um motivo para viver é complexo, quase impossível; porém, é bom ter sempre em mente: não é preciso viver para ouvir música, mas é preciso ouvir música para viver.

P.S: Eu teria escrito mais, mas a redação tinha que ter no máximo 28 linhas, exatamente o que deu a minha escrita.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Fogo Interno

   Honra. Está aí uma palavra cada vez menos usada hoje em dia. Isso talvez esteja acontecendo porque o conceito da palavra também está desaparecendo. Quem hoje em dia luta por algo próprio, sem se importar com o que os outros pensam e dizem, passando pelos obstáculos necessários sem ao menos olhar para trás ou pensar em desistir, somente porque fez uma promessa a si mesmo? Poucas pessoas.
   A maioria provavelmente diria que isso é bobagem ou burrice (aliás, uma das definições a qual honra virou sinônimo); por que fazer tudo isso só para cumprir uma promessa que sequer tem valor "real", que não vai fazer a mínima diferença nem para a pessoa ou para o resto do mundo? Os antigos samurais, aqueles da antiga aristocracia japonesa, poderiam dar várias razões.
   Estes guerreiros acreditavam que a vida na Terra era limitada, mas que o nome e a honra poderiam durar para sempre. Por isso, não temiam a morte e não hesitavam em um campo de batalha, não porque serviam ao imperador e tinham que cumprir suas funções, mas porque tinham que seguir seu próprio código de conduta; eles não tinham que provar nada a ninguém, exceto a si mesmos. Para mostrar como eles levavam a sério, um samurai, caso seu nome fosse desonrado, realizava o seppuku, ritual em que o guerreiro cravava uma tanto (espécie de espada), sua própria wakizashi (espada curta) ou um punhal no lado esquerdo do abdomên, cortando até o lado direito e, por fim, puxando a lâmina de baixo para cima até o peito. Era uma morte lenta e dolorosa, mas para esses guerreiros significava manter a honra intacta, eterna.
   É claro que é uma atitude extrema e, obviamente, não recomendo ninguém a enfiar uma faca na barriga caso faça algo de errado; porém, o significado desse ato transcende o literal. Não quer dizer se matar para fugir dos problemas, e sim ter a consciência de que o que fazemos na vida é o que importa, e não a vida em si. E essa consciência vem do Bushido (literalmente "caminho do guerreiro"), o código de honra não-escrito que cada samurai seguia até o fim de sua vida para perpetuar sua honra e/ou de sua família.
   Será que não é possível ter um bushido hoje em dia, mesmo que os samurais não estejam mais por aqui? Afinal, para manter sua honra viva, não adianta apenas lembrar deles como sendo fortes e destemidos; é preciso viver a honra, mantê-la viva através da experiência, da luta, da persistência, do respeito. É preciso honrar a honra.   


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A Estrada

   O que é a vida, senão um caminho longo e tortuoso? Há obstáculos por toda a parte, e poucas oportunidades a serem aproveitadas. Cheguei a uma bifurcação; pra onde ir? À esquerda posso ter o que quero, mas à direita tudo que preciso. Qualquer que seja minha escolha, não posso olhar para trás. O arrependimento não é um caminho, mas um buraco fundo e escuro muito difícil de se sair.
   Direita, então. Parece ser o caminho mais longo, mas se realmente possuir o que preciso, deve valer a pena.
   De repente, ouço um choro; dou mais alguns passos e encontro um bebê deitado no chão, enrolado apenas em uma fina coberta. Seu choro me comove e, na vastidão da estrada, parece ser o único índicio de vida, ecoando no silêncio, como se insistisse em provar que ainda existia. Decido pegar o bebê no colo e balançá-lo levemente, cantando uma canção de ninar ao mesmo tempo. Não funcionou. Ainda chorando alto, ele balança seus braçinhos e alcança minha mão, agarrando meu dedo indicador com sua mãozinha. Como um gesto automático, ele leva meu dedo à boca e começa a chupá-lo instantaneamente, parando de chorar.
   Fome. É claro. Recomeço a andar e não demora muito para o bebê soltar meu dedo e voltar a chorar. Já não aguentava mais quando me deparo com um mendigo velho e magro, sentado no meio-fio com um cigarro encaixado na orelha e duas pedras nas mãos, batendo-as uma na outra incessantemente. Ao me ver, ele levanta assustado com os olhos vermelhos e arregalados e recua alguns passos, visivelmente perturbado.
   - Você tem fogo aí? - perguntou de repente.
   Apesar de ter um isqueiro no bolso, já que também fumo, a figura daquele mendigo me marcou de uma tal forma que não consigo mover minha mão em direção ao bolso, como se a minha consciência agora controlasse meus movimentos. Não posso arruinar ainda mais a vida desse homem.
   - Não, não tenho - menti. - E você não deveria fumar.
   - Por que? - retrucou desconfiado.
   - Porque eles fazem mal à saúde; podem dar câncer e tudo mais.
   Ele me encara por alguns segundos, tentando ver se minha expressão revelava alguma mentira, e logo leva a mão até a orelha e puxa o cigarro, puxando-o para baixo do nariz e dando uma longa fungada.
   - Mas é tão bom! - lamentou-se com os olhos marejados.
   - Eu sei, mas precisa entender que não vale a pena arriscar sua vida por ele.
   Assentindo lentamente, o mendigo larga o cigarro no chão e pisa em cima, com uma cara de quem não sabe se chora ou comemora. Dou um sorriso meio tímido e ele retribui; ele não precisou me agradecer para eu sentir que de alguma forma o ajudei, após vê-lo começar a voltar pelo caminho que eu tinha vindo. Só quando ele já está longe que percebo o silêncio que faz. Olho para baixo e vejo o bebê dormindo profundamente com o próprio dedão na boca. A fome, afinal, era só sono. Tentando não acordá-lo, boto a mão lentamente bolso, retiro meu isqueiro e jogo-o longe. Não vou mais precisar dele. Está tudo bem. 

sábado, 22 de janeiro de 2011

Queima de Livros

    Eu falhei. Todo o meu esforço se reduziu a pó, esmagado pelas minhas dúvidas e receios. O mundo? Não se importa nem um pouco. Minha família e amigos sim, claro que compartilham da minha dor. Mas o mundo não; ele não pára por minha causa. O ciclo da vida continua, ganhando ou perdendo, calando ou gritando, prazendo ou sofrendo. 
    Então, o significado de todos esses testes deve ser outro, não pode ser tudo por acaso. Aí é que está; ou, nas palavras de Shakespeare, that's the rub. Como é possível saber o verdadeiro significado das minhas ações, dos meus desejos, das minhas escolhas? Religião? Talvez, mas e os ateus? Como ficam? Será que todos simplesmente vivem, sem parar para pensar no porquê de tudo acontecer como acontece?
     Não. Não tem nada a ver com Deus ou destino. Isso são coisas pessoais. O segredo de tudo está na minha frente, na nossa frente: o amor. Aqueles que amo do fundo do meu coração, por mais que eu não demonstre, são a base da minha vida, de tudo o que faço e deixo de fazer. E, assim, tudo faz sentido, porque não há motivo pra batalhar, persistir e se sacrificar sem o amor de alguém envolvido.
     Eu falhei, sim. E a culpa é só minha; porém, não me dá o direito de desistir, nem por um segundo. Eu vou continuar aqui, suando e sangrando, porque eu tenho algo o qual vale a pena lutar. E isso é tudo que importa.